CAIXA ECONÔMICA QUER CONTINUAR A CRESCER E CHEGAR A TERCEIRO MAIOR BANCO DO PAÍS

11:46Carlos Alberto-Há 40 anos vivendo Brasília!

Caixa Econômica define estratégicas para se tornar terceiro maior banco do país.


Para se tornar o terceiro maior banco do país, deixando o Bradesco para trás, a Caixa Econômica Federal manteve uma expansão exuberante de sua carteira de crédito no primeiro semestre e já anuncia que pretende seguir crescendo bem acima da média do mercado no resto deste ano e no próximo."Não estamos fazendo nenhuma aventura", afirma o presidente da Caixa, Jorge Hereda, ao Valor. Ele argumenta que a expansão dos empréstimos ocorre paralelamente à redução da inadimplência, que recuou de 2,34% para 2,27% entre o primeiro e o segundo trimestres. A Caixa tem um objetivo estratégico de aumentar sua participação no mercado de crédito dos atuais 16,95% para 20% e "não quer todo o crédito do país".

Ultrapassar o Bradesco em volume de ativos - a métrica mais comum de comparar bancos - tornou-se uma meta possível de ser concretizada ainda neste ano, se a evolução das operações dos dois bancos seguir no ritmo atual.
Em junho, segundo balanço divulgado ontem, a Caixa chegou a R$ 814 bilhões em ativos, pouco atrás do Bradesco, com R$ 896 bilhões. Os ativos da Caixa cresceram 36,7% entre junho de 2012 e de 2013, numa velocidade mais de quatro vezes superior ao do Bradesco, que avançou 8%.
Hereda lembra que, em 2008, a Caixa tinha uma fatia de apenas 8% no mercado de crédito, segundo ele desproporcional para o tamanho do banco. As receitas eram formadas sobretudo de juros dos títulos públicos injetados pelo Tesouro em fins dos anos 1990 para reestruturar a instituição. Com a crise provocada pela quebra do Lehman Brothers, os bancos privados se retraíram e o governo empurrou os bancos públicos para preencher o vácuo.

"Enxergamos uma oportunidade", afirma Hereda. "Radicalizamos nossa estratégia de sempre ter os menores juros, apostando em ampliar nosso relacionamento com os clientes."

Está mantida a meta da Caixa de crescer sua carteira de crédito entre 34% e 38% neste ano. Para 2014, entretanto, deverá haver uma desaceleração da expansão da carteira de crédito para percentuais entre 29% e 31%. Ainda assim será um ritmo bem superior aos cerca de 16% a 17% esperados para o mercado bancário como um todo para o ano.

No início de 2012, a presidente Dilma Rousseff determinou aos bancos públicos a redução de juros para forçar maior competição no mercado. Nesta semana, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, disse que o espaço para novas reduções nos custos do crédito acabou. "Pelas condições gerais, é difícil baixar os juros", afirma Hereda. "Mas, se a gente conseguir melhorar a produtividade, a tendência é repassar para nossos clientes, caso a caso. Nossa estratégia de oferecer as melhores condições tem dado certo e vamos continuar com ela."

O foco da Caixa, disse ele, é reduzir a concentração da carteira em crédito imobiliário e apostar no crédito livre, em especial nos empréstimos a empresas, que cresceram 55% entre junho de 2012 e de 2013. Embora o volume de crédito imobiliário tenha seguido em forte expansão no período, de 34%, sua participação na carteira da Caixa recuou de 58,6% para 55,3%. O espaço foi ocupado pelas operações de capital de giro, que passaram de 15,3% para 17,4% da carteira.

A diversificação da carteira inclui a entrada da Caixa no mercado de crédito rural, que entre as instituições oficiais se restringia sobretudo ao Banco do Brasil. Depois de uma experiência considerada bem-sucedida em projetos pilotos, neste ano a Caixa está ampliando a oferta de financiamentos agrícolas para mil de suas agências, com um volume de R$ 2 bilhões para o financiamento da safra 2013/2014.

No financiamento de veículos, a Caixa teve perdas com a compra de participação no Panamericano, hoje rebatizado como Banco Pan, que financiava carros usados e foi afetado pela crise de inadimplência que atingiu o segmento. "O Panamericano foi reestruturado, e estamos no caminho certo", disse Hereda. A expansão da carteira de veículos, agora, está sendo feita entre a base de clientes da própria Caixa. "Aprendemos com o que aconteceu com os outros e estamos crescendo com segurança."

Os próximos passos estratégicos da Caixa serão nos segmentos de cartões de crédito e seguridade, nos quais, segundo Hereda, a participação do banco ainda é pequena em relação ao porte da instituição. Os cartões, por exemplo, contribuem com apenas 4% das receitas da Caixa. No caso da seguridade, a participação nas receitas é de 15% e, no diagnóstico do banco federal, pode chegar mais próximo de percentuais na casa de 30% -semelhante ao observado no Bradesco.

Hereda afirma que a estratégia ainda está sendo discutida e envolve negociações com a Caixa Seguros, que tem acesso ao balcão da instituição por pelo menos sete ou oito anos e, recentemente, apresentou propostas de aquisições dentro e fora do Brasil. "Nosso foco é dentro do Brasil", informou. Segundo ele, entre as possibilidades em avaliação está ampliar as operações da seguradora vinculada ao Panamericano, que também passou por reestruturação.

Segundo o presidente da Caixa, há uma desaceleração na demanda de crédito, na margem. "Mas a demanda está aí, apenas desacelerou um pouco", pondera. "Somos um banco público responsável e temos um compromisso com o país. Não temos nenhuma previsão de recuar, até porque não há nenhum motivo para isso."

Com a abertura de 670 agências e contratação de 6.597 novos funcionários em doze meses, a Caixa procura melhorar o atendimento aos clientes que foram atraídos pelas taxas baixas e se prepara para a volta da concorrência privada, no futuro. "Não queremos ganhar por WO", afirma, citando jargão esportivo usado quando um time ganha porque o adversário não apareceu.
Fonte: Valor Econômico S.A.

Você pode gostar de...

0 comentários

Criticas ou sugestões?

Nome

E-mail *

Mensagem *

Visitantes