PAZ NA PALESTINA! TOMARA QUE DURE! - ISRAEL E AUTORIDADE PALESTINA CONFIRMAM CESSAR FOGO

21:50Carlos Alberto-Jornalismo sério

PRESIDENTE DA AUTORIDADE PALESTINA CONFIRMA ACORDO DE CESSAR-FOGO DURADOURO ENTRE HAMAS E ISRAEL.
 A confirmação foi dada pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mas, até o momento, o governo israelense não se manifestou a respeito

Conflitos se estenderam por quase dois meses, deixando um rastro de destruição e morte. | Foto: Mahmud Hams/AFP
Dois porta-vozes do movimento islâmico Hamas anunciaram nesta terça-feira (26/8) que autoridades israelenses e palestinas concordaram com um acordo de cessar-fogo, após 50 dias de conflito. A confirmação foi dada pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, mas, até o momento, o governo israelense não se manifestou a respeito.
Essa é a 12ª tentativa de um acordo de paz desde o início dos conflitos, em 8 de julho. Naquele dia, o Hamas começou uma série de ataques contra o território israelense em retaliação à morte de três palestinos, cujos corpos foram localizados no dia 30 de junho. Israel nega a autoria das mortes e responsabiliza o Hamas pelo acontecido. Desde então, uma série de ataques deixou centenas de mortos, feridos e desabrigados naquela região do Oriente Médio.

Segundo o jornalista Herbert Moraes, correspondente da TV Record em Tel-Aviv e colunista do Jornal Opção, o acordo firmado nesta terça-feira prevê a abertura das fronteiras da região de Gaza para ajuda humanitária, como equipes médicas e o envio de materiais de construção. Segundo especialistas, os ataques das últimas semanas causaram danos que levarão pelo menos uma década para serem reparados.

Os palestinos passarão a ter também o direito de pesca a uma distância de até seis milhas do litoral. Atualmente, são apenas três. Outras questões reivindicadas pelo Hamas, como a reabertura do porto e do aeroporto de Gaza, além do fim dos bloqueios, serão discutidas daqui um mês.
O cessar-fogo com Israel só foi possível após o chefe da delegação palestina Azzam al-Ahmad, com os líderes do Hamas, da Jihad Islâmica e outros movimentos palestinianos em Ramallah, Gaza e Catar acertarem os termos. O governo egípcio também foi essencial para o processo.
Segundo destaca Herbert, o Egito tem agido como negociador desde o princípio, já que Israel considera o Hamas, que controla a região de Gaza, como um grupo terrorista o que, portanto, impossibilita negociações entre as partes. O Hamas é um braço da Irmandade Muçulmana, da qual participava o ex-presidente do Egito Mohamed Morsi, deposto em julho de 2013.
Denota-se assim o interesse do atual governo daquele país, que, ao contrário do antigo regime, não apoia as ações do Hamas. O presidente Abdul Fatah Khalil Al-Sisi deseja fortalecer o presidente da autoridade palestina e conseguir maior influência na região.
Se o Hamas está isolado, depois de ter perdido não só o apoio do Egito, mas também do Irã e da Síria, por exemplo, a situação não é muito diferente para Israel. O Estado não pode mais contar com o suporte efetivo dos Estados Unidos, envolvidos nos combates contra o grupo extremistas do Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Isis), e enfrenta pressão internacional cada vez maior pela reação considerada desproporcional contra a região palestina. Tal situação tem levado a um sentimento cada vez maior de antissemitismo no mundo.


Herbert destaca que uma solução para a crise está longe de acontecer. Vislumbrada por alguns como uma chance pela paz, ele ressalta que a criação de um Estado palestino não deve ser considerada como uma alternativa. “Não é esse o momento para discutir isso. Não acredito que veremos um Estado palestino tão cedo. As questões são mais profundas que a gente consegue perceber”, declara.
O correspondente pontua que ainda que este cessar-fogo seja efetivado, há riscos de que novos conflitos possam ser desencadeados na Cisjordância, região palestina separada por 45km de Gaza e controlada pelo Fatah, um grupo político mais moderado que o Hamas. “Houve protestos por lá e há possibilidade de que haja uma revolta. 
O caldeirão na região está fervendo”, destaca Herbert.



Até o momento, os conflitos na região de Gaza causaram a morte de 68 israelenses (64 soldados e quatro civis) e de 2.100 palestinos. O Hamas afirma que 80% das vítimas são civis, enquanto que o governo israelense alega que são cerca de 50%.
Há pelo menos 10.000 palestinos feridos e mais de 200 mil desabrigados.


Por Thiago Burigato

 26/08/2014 16h26 

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