VIGILIANTE MORRE EM PARADA DE ÔNIBUS POR FALTA DE ATENDIMENTO EM HOSPITAIS DA REDE PÚBLICA DO DF!

21:02Carlos Alberto-Há 40 anos vivendo Brasília!

MAIS UMA VÍTIMA DA FALÊNCIA DO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE DO GOVERNO AGNELO QUEIRÓZ, O GOVERNADOR QUE SE APRESENTOU COMO O MÉDICO QUE EM 3 MESES RESOLVERIA O CRÔNICO PROBLEMA DE SAÚDE DO DF!
Vigilante com problemas de coração e em busca de atendimento, morre em parada de ônibus, há poucos metros do maior hospital público do DF, no centro de  Brasília!





Depois de três dias na luta por internação na rede pública, paciente com histórico de pressão alta e insuficiência cardíaca sofre uma parada cardiorrespiratória a poucos metros do Hospital de Base do DF. 
Familiares denunciam descaso e negligência.

Uma sequência de falhas na saúde pública do Distrito Federal resultou na morte de um homem de 39 anos. O vigilante Moisés Nunes Alkmim Barbosa sofreu uma parada cardiorrespiratória no ponto de ônibus do Setor de Rádio e Televisão Sul (SRTVS) quando tentava, pelo terceiro dia consecutivo, ser internado em unidades da rede pública.
Pai de quatro filhos, o paciente era cardiopata e apresentava insuficiência grave no órgão, de acordo com o médico Paulo Dias, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), responsável pelos primeiros socorros na parada de ônibus. Na quarta-feira, a vítima procurou atendimento no Hospital Regional do Paranoá e, segundo familiares, as equipes de saúde buscaram um leito de unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e do Hospital de Base do DF (HBDF), mas não havia disponibilidade.

O vigilante foi liberado para casa no mesmo dia e, desde então, lutava pela internação. Ontem, ao tentar insistir no HBDF, ele não resistiu. A Secretaria de Saúde, porém, contesta a versão da família. Segundo a pasta, o paciente chegou à unidade do Paranoá na quarta-feira, por volta das 9h, com crise hipertensiva e não constava pedido de UTI no prontuário dele, pois o estado de saúde clínico era estável.

A morte, no entanto, coloca em xeque o atendimento de saúde na capital. Há pelo menos três dias, Moisés apresentava inchaço, dores no peito e paralisia no lado direito do corpo. De acordo com a família, além de não ter sido internado por suposta falta de leito em três unidades, Moisés enfrentou dificuldades para se deslocar ao HBDF na manhã de ontem. A irmã Maria José Nunes Barbosa, 33 anos, disse que ligou para o Samu e pediu para transportá-lo até lá, mas a solicitação foi negada. “A atendente explicou que o transporte do Samu era prioritário para casos mais graves e, por isso, se ele passasse mal de novo, era para retornar a ligação. Se ele fosse na ambulância, chegaria mais rápido ao hospital e estaria ligado em aparelhos, caso acontecesse alguma coisa”, argumenta.

A família, então, se limitou à única alternativa possível: ônibus. Morador de São Sebastião, Moisés embarcou em um coletivo acompanhado da irmã e da mulher, Deusilene do Nascimento Sousa, 40 anos. A companheira levava uma prescrição do médico do programa Saúde em Casa que orientava a internação. “O médico esteve na minha casa na quinta-feira, analisou os exames dele e disse que o meu marido precisava procurar um hospital urgente. O lado direito dele estava adormecido e a barriga só inchava. Hoje (ontem), a primeira coisa que fizemos foi vir de ônibus para fazer mais uma tentativa.”

Ao desembarcar às 9h16, o vigia se sentiu mal ainda no ponto de ônibus da 701 Sul, no SRTVS. Ele se sentou em um quiosque, e Deusilene comprou uma água, mas Moisés não teve tempo de bebê-la. “Quando ele ia pegar a garrafinha da minha mão, caiu desacordado. O pessoal chamou o Samu, eles tentaram reanimar o meu marido e o levaram de ambulância até o hospital. Era para ter sido internado desde o início. Ele morreu tentando viver”, lamenta a empregada doméstica.

A equipe do Samu tentou reanimá-lo por 40 minutos. “Revertemos o quadro dele com massagem cardíaca e entubação, mas, quando o paciente chegou ao hospital, apresentou outra parada cardíaca. Os médicos aumentaram a força do batimento e receitaram medicamento diurético para tentar desinchá-lo”, esclareceu o médico Paulo Dias.

Testemunhas
Moisés morreu às 10h15 no centro cardiológico do Hospital de Base. Trabalhava em uma empresa privada de segurança e, há um mês, descobriu o problema cardíaco. Estava de férias desde o início de novembro. Tinha nove irmãos e vivia em Brasília havia 15 anos. A maior parte da família mora em Januária (MG). “A palavra precária é pouco para definir a saúde do DF. A minha mãe, de 69 anos, chegou hoje (ontem) de Minas Gerais para cuidar do meu irmão. Antes de ela vir a Brasília, falou para nós darmos duro nos hospitais daqui até conseguir internar o Moisés. E agora? Como vou dar essa notícia para ela?”, questiona a irmã Maria José. O enterro será em Minas Gerais.

Necessidade de internação
A Secretaria de Saúde defendeu que o atendimento realizado pelo Samu está de acordo com as informações e os sintomas repassados pelo paciente, uma vez que, em contato com essa equipe, segundo o órgão, ele disse apenas sentir dores na panturrilha e na barriga. De acordo com a pasta, ao ser questionado, o homem afirmou que queria ser levado ao HBDF. A pasta relatou ainda que, conforme os procedimentos do Samu, apenas pessoas em estados de urgência e de emergência (acidentes, paradas cardiorrespiratórias, entre outros) são encaminhadas à unidade. Nesse caso, o paciente foi informado de que deveria procurar o serviço da unidade mais próxima que oferecia o atendimento especializado.

Um médico cardiologista há mais de 30 anos e especialista em gestão de saúde pública afirma que o paciente não poderia ter sido liberado do Hospital Regional do Paranoá com o quadro clínico relatado, uma vez que a hipertensão pode ter sido ocasionada em razão da cardiopatia e da insuficiência cardíaca. “Se um paciente tem pressão alta e consegue diminuí-la com medicamentos, a internação não se justifica. Mas, se a pessoa tem pressão alta e uma série de outros problemas, como insuficiência cardíaca, a hipertensão não é um fato isolado”, explica o especialista, que não quis se identificar.

Segundo ele, que também é professor universitário, um histórico de cardiopatia com pressão alta era suficiente para cuidados extremos. “É necessário avaliar o quadro do paciente dentro de um contexto clínico mais grave. Se a pessoa tem um problema grave, a pressão alta é suficiente para se fazer a internação, pois, caso contrário, a cardiopatia pode evoluir. Foi o que aconteceu”, concluiu.

Correio Braziliense


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