POLÍCIA DE ONTEM, POLÍCIA DE HOJE; QUANTA DIFERENÇA!

10:46Carlos Alberto-Jornalismo sério

POLÍCIA DE ONTEM, POLÍCIA DE HOJE; QUANTA DIFERENÇA!



Os antigos policiais de trânsito desapareceram.
E alguma coisa não rima com o tempo que passou
por Roberto Pontual.


Dia desses assistia televisão e um noticiário falava de multas e radares fotográficos. Fiquei pensando como tudo mudou em tão pouco tempo.

A figura imponente do policial, principalmente o rodoviário, era viva na mente de todo motorista. Chegamos a ter no Brasil um vibrante seriado de 38 capítulos na televisão chamado Vigilante Rodoviário, de 1961 a 1962, na TV Tupi de São Paulo e depois em outras emissoras. O ator Carlos Miranda (foto), de tanto gostar do papel -- dividia com o pastor alemão Lobo o combate ao crime --, chegou a se tornar policial rodoviário de verdade.

Com o passar do tempo, alguma coisa aconteceu que levou a maneira de policiar trânsito a mudar substancialmente. Antes havia policiais patrulhando o trânsito em motocicletas, quase sempre Harley-Davidsons, atentos ao que se passava. Hoje, quando se vê -- raramente -- um agente municipal numa moto, a impressão que dá é que ele está apenas se deslocando de um lugar para outro, olhos atentos a nada. Ou então dois ou três juntos em idêntica atitude. Muito esquisito.

Quando se cometia alguma infração e um guarda via, logo soava seu apito com dois silvos breves. Alguém ainda se lembra o que significam? "Pare o carro". Lá vinha então ele, verificava os documentos, dava uma olhada no carro e... lavrava a multa, à sua frente. Havia diálogo entre motorista e agente da autoridade. Tal como se vê nos filmes estrangeiros até hoje.

Parece que a polícia daqui hoje se rendeu totalmente à comodidade da gravação de imagem ou da fotografia. Para que se dar ao trabalho de sair atrás do infrator? Essa postura gera situações que vão contra o cidadão. Por exemplo, muitas vezes é preciso acelerar um pouco mais para efetuar uma ultrapassagem ou sair de uma situação qualquer de tráfego. Se o motorista der o azar de passar diante de um detector de velocidade com câmera nesse momento, a autuação é líquida e certa.

Apelar para as Junta Administrativa de Recursos de Infrações, as JARIs? Esqueça. As chances de ter um recurso desses deferido são remotas. Não existe mais a apreciação dos casos que se espera e a que se tem direito.

O pior é que às vezes a coisa chega ao burlesco, ao cômico. Em São Paulo, a entidade que cuida do trânsito, Companhia de Engenharia de Tráfego, criou policiais... manequins de loja! Ou seja, usou o princípio do espantalho contra passarinhos que atacam os milharais... Seria o Homem igual a um passarinho?

A presença da autoridade impõe autoridade. Não existe outra maneira de administrar o quase-caos urbano de todo dia.
Pelo menos ainda não inventaram nada que substitua o policial fardado com olhos de lince, ligados no que se passa à sua volta.


Será o trânsito mais ordeiro que se observa nos países mais avançados apenas questão de educação da população?
Certamente que não. A maior prova disso é que estrangeiros que vêm morar aqui em poucos meses estão totalmente "tropicalizados". Fazem exatamente o que os maus e indisciplinados motoristas locais fazem.

O mais estranho é constatar que o que sempre funcionou tenha sido abandonado. Até cerca de 40 anos atrás a polícia era uma organização civil.
O policiamento ostensivo ficava a cargo da Polícia Civil, inclusive os tais "xerifes" montados em suas Harley-Davidsons.
Os de mais idade ainda se lembram da Força Pública da cidade de São Paulo, uma corporação que não esquecem.
Contam que os policiais vestiam fardas impecáveis e tinham um padrão elevado de educação, verdadeiro cartão postal da cidade. "Dava orgulho ver essa polícia nas ruas", contam.

Hoje a Polícia Militar tem poder e papel ratificados pela Constituição de 1988. Mas por volta dos anos 1960 a PM era apenas um pequeno braço do Exército, destinado para agir em determinadas circunstâncias, como perturbação da ordem pública. Conta-se que foi o governador Carlos Lacerda, do então Estado da Guanabara -- a cidade-estado criada em 1960 no que antes era o Distrito Federal, a capital da República --, foi quem mudou o status da PM, equipando-a e tornando-a mais forte, atuante e passando a se superpor com a Polícia Civil. Lacerda teria tencionado criar uma espécie de força militar que lhe garantisse a integridade numa época de instabilidade e incertezas políticas, dizia-se.

Havia na capital de então outra força policial chamada Polícia Especial, também de organização civil. Fora criada em 1932 à imagem da força de segurança do ditador da Espanha Francisco Franco, por seu par brasileiro Getúlio Vargas (para a mesma finalidade). Depois de sua deposição em 1945, a PE foi usada no serviço de patrulhamento normal das ruas em carros com radio comunicação, até ser extinta em 1963. Todo o corpo da Polícia Especial passou para a Polícia Civil.

De tudo isso resultou que com o atual sistema da PM cuidando do policiamento ostensivo e a Polícia Civil, das investigações, os xerifes desapareceram. Não deveriam, mas desapareceram.

Entraram em cena os fiscais municipais com poder para autuar determinadas infrações apenas, algo incompreensível. Em vez de patrulhar trânsito, ficam escondidos em cabines ou dirigindo picapes e utilitários, que acabam ficando presos nos engarrafamentos.
E, claro, de talonário de multas na mão sem dar os tais dois silvos breves, pois não têm poder de polícia.
Minha opinião
eles poderiam voltar assim teríamos menos mortes e poucos bêbados e mal educados pensariam mais antes de entrar no seu carro.


Luiz Carlos email luizcarlosa@hotmail.com 

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