MOVIMENTO DOS SEM TETO CONTINUAM INVASÃO EM SAMAMBAIA POR QUE "GDF NÃO RESOLVE NADA" AFIRMAM OS LÍDERES DO MOVIMENTO

11:00Carlos Alberto-Jornalismo,isento e sem compromisso com mentiras.!

 "Cansados de ser enganados", dizem líderes do movimento!
 Intitulados integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), os sem-teto não lutam pela reforma agrária, como inicialmente se imagina, querem um terreno em região urbana para construção de moradias.


Improviso
Os barracos ainda são de lona, alguns se alojam em barracas de camping. A cozinha é comunitária, e os alimentos chegam por meio de contribuições dos acampados ou por doações da população e de simpatizantes. O banheiro também é improvisado, sem qualquer estrutura ou saneamento. Ainda assim, ao falar em moradia própria, os olhos dos novos membros brilham com esperança.

Na contramão da agonia vivida pelas famílias, crianças de todas as idades se divertem em meio à falta de saneamento. Um pula-pula, instalado na entrada do acampamento, forma fila e faz a alegria da criançada em dias ensolarados. Enquanto isso, logo ao lado, novos barracos se formam.
Revolta


Outros, como dona Alzerita Pereira, 51 anos, que recebe auxílio-doença por conta de três AVCs que já sofreu, apenas se revolta. “Sou cadastrada nesses programas desde que meus três filhos ainda eram bebês. Hoje o mais velho está com 29 anos. Eles [o governo] estão esperando eu morrer. Meus três filhos também são cadastrados e nunca foram chamados”, esbraveja Alzerita.
De acordo com ela, há uns dois anos foi chamada. Gastou o dinheiro que não podia para tirar a documentação exigida, mas, depois disso, nunca foi contemplada. A esperança diminuiu depois que seus filhos saíram do seu cadastro por terem atingido a maioridade.

Atualmente Alzerita mora de aluguel em outra invasão, só que na Ceilândia, no setor Sol Nascente, onde, no início do ano, já foram realizadas ações da Agefis (Agência de Fiscalização) para derrubada de invasões irregulares.

Outros casos
Já a dona de casa Judith Neres, 56 anos, está lá para conseguir um terreno para o filho que tem nove filhos e está no cadastro há anos. “A fila não anda, e a gente precisa brigar. Sou mãe. Sofro por ele e pelos meus netos”, desabafou.
A auxiliar de serviços gerais Carmem Lúcia, 45, relatou ter perdido o cadastro por não ter acesso à internet. “Meu cadastro desapareceu. Fui na Codhab e me informaram que eu tinha que ter feito o recadastramento. Como eu ia saber? Não tenho internet, não sei mexer em computador nem fiquei sabendo do recadastramento”, reclama Carmem.
Luta
O Fato Online esteve no acampamento em Samambaia, conversou com os organizadores e também com pessoas adeptas ao movimento. O terreno invadido é de propriedade da Terracap, Companhia Imobiliária de Brasília. O coordenador do movimento, Sebastião de Sousa, 36, está na luta há seis anos, desde que a frente foi formada em Brasília. Ele informou que, atualmente, o movimento é composto por cerca de 1.400 famílias no DF, mas esse número tem aumentado a cada dia.

Promessa
Sousa explicou que estão em negociação com a Codhab (Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal) e que, no governo Agnelo Queiroz (PT), foi acordado um terreno para as famílias do movimento, mas a promessa não foi cumprida.

No governo atual, segundo ele, já foram apresentados sete terrenos em áreas urbanas, inclusive essa área em que estão, entre a Samambaia Sul e a Samambaia Norte, e que é a preferência dos sem-teto. “Desde o início do ano, já ocupamos outras quatro áreas. Agora vamos aguardar a decisão do governo nesta área aqui”, disse o coordenador.
De acordo com o coordenador, o governo ficou de apresentar uma solução até a próxima quarta-feira (5). “Nós temos uns sete terrenos levantados e eles [o governo] estão avaliando. Nosso movimento está cansado de ser enganado”, disse. Caso a resposta seja negativa, Sousa afirma que continuará no local até o impasse ser decidido.


“Estamos aqui reivindicando também o destravamento do Minha casa Minha Vida. Mas o nosso é pela entidade. Queremos o terreno para construir pela entidade”, explicou Sousa.

CORREIO BRZILIENSE.

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