PORQUE RENAN CALHEIROS IMPEDIU QUE O CIRCO PEGASSE FOGO?

21:31Carlos Alberto-Há 40 anos vivendo Brasília!

ENTENDA OS ERROS COMETIDOS POR CUNHA NA GUERRA CONTRA DILMA
Como entender os embates entre Cunha, Renan e Dilma Roussef.


Tribuna da Internet
Carlos Newton
As ordens de João Roberto Marinho foram seguidas, a Organização Globo deu uma refrescada na pressão contra o governo e aumentou a carga contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Para quem acredita em coincidência, é realmente um prato feito. A edição do jornalão nesta terça-feira, por exemplo, merecia até ser comemorada no Planalto, não fosse o artigo de Marco Antonio Villa, na página 12, avisando que não existe mais governo. Até nas cartas dos leitores só saíram mensagens de apoio a Dilma.
Em outros grandes órgãos de comunicação, também se nota uma aliviada no governo e no PT, embora seja impossível cessar a carga de cavalaria, tal a gravidade da crise múltipla que o país atravessa – na política, na economia e na ética.


Não há perspectiva de salvação para o governo, é tudo questão de tempo, mas não resta dúvida de que o Planalto até conseguiu uma momentânea vitória, ao tirar Dilma do foco da mídia e transformar Eduardo Cunha no vilão da vez. Sem dúvida, a Organização Globo lidera a campanha para desmoralizá-lo, e este movimento conta com a ajuda do próprio Cunha, que ainda é inexperiente nessas brigas de cachorro grande e acaba metendo os pés pelas mãos.
CUNHA SE DEFENDE MAL
Nos últimos meses, Cunha havia se tornado uma esperança para muitos brasileiros. Ele colocou a Câmara para trabalhar numa velocidade jamais vista, parecia que algo de novo estava surgindo. O problema é que o presidente da Câmara tem mostrado que é bom de ataque, porém mau de defesa. É corajoso e bate pesado nos adversários, mas seu jogo de cintura deixa muito a desejar.
Apesar das acusações contra ele no inquérito que corre no Supremo, Cunha estava se saindo muito bem. Conseguiu levantar dúvidas sobre as sucessivas denúncias, porque as testemunhas se contradisseram e as provas materiais ainda são fracas.
Sua grande mancada foi romper com a presidente Dilma, declarar-se em oposição e passar a atacar sem cessar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A partir daí, os adversários de Cunha começaram a fazer a festa, demolindo a imagem política que ele mal começara a esboçar.
O mais curioso é que Janot ainda não tem prova consistente contra Cunha. A única coisa que seus peritos descobriram foi que o computador de Cunha estava ligado na hora em que o computador da então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) registrou os pedidos de informações sobre fornecedores da Petrobras. Mas isso não prova nada. Se Janot tivesse encontrado algo mais sólido, já teria divulgado, prazerosamente.
RENAN SAI DA TOCA
O fato é que Cunha se precipitou ao tentar demolir essa perícia feita por Janot na Informática da Câmara, pois foi pedir apoio justamente ao petista Luis Inácio Adams, da Advocacia Geral da União, como se fosse possível contar com o inimigo. Por óbvio, acabou se enredando ainda mais.
Esses seguidos erros políticos de Cunha, podem acreditar, o senador Renan Calheiros jamais cometeria. Mais experiente e acostumado a grandes embates, Renan domina como poucos a arte de morder e assoprar ao mesmo tempo. Espertamente, na chamada undécima hora, Renan agora surge como salvador da pátria, entregando a Dilma 27 propostas de combate à crise, das quais 19 já estão tramitando no Congresso, vejam como é criativo o senador alagoano.
É TUDO MENTIRA
Ao contrário do documentário que Orson Welles jamais concluiu, é tudo mentira e Renan apenas joga para a plateia. Sua única intenção é se safar do Lava Jato. Há mais provas contra ele do que contra Cunha.
Se o procurador Janot tirar o nome de Renan no próximo listão e mantiver o de Cunha, será mais um escândalo envolvendo este patético governo, que a cada dia insiste em nos surpreender, sempre negativamente.
O Planalto ganhou uma pequena trégua para respirar, mas seu fôlego acaba este domingo, quando o povo sair às ruas. O espetáculo será impressionante e pacífico, mostrando a maturidade da democracia brasileira.
POR QUE RENAN IMPEDIU QUE O CIRCO PEGASSE FOGO
Tribuna da Internet
Carlos Chagas
A pergunta que ninguém respondia, ontem, mas presentes múltiplas respostas em todas as especulações, era por que o presidente do Senado, Renan Calheiros, trocou de camisa e passou a jogar no time da presidente Dilma. Afinal, depois de acionar baterias contra o governo, prometendo até dar seguimento a um eventual processo de impeachment contra Madame, se a Câmara assim decidisse, o senador alagoano saltou de banda. Declarou que dar prioridade ao impeachment seria botar fogo no país. E mais: apresentou um elenco de 28 propostas de recuperação nacional que fizeram a alegria do ministro Joaquim Levy. Propôs uma trégua e acrescentou que o Congresso sequer  deve priorizar a análise das contas de Dilma no ano de 2014.
Patriotismo? Preocupação com os rumos da crise capaz de colocar o Brasil em frangalhos? Concordância em que o PMDB faz parte do governo e deve respaldá-lo? Interesse em participar das benesses do poder?
Ou… Ou ter recebido a promessa de que não será  incluído na  lista de denuncias do Procurador Geral da República contra parlamentares envolvidos no escândalo da Petrobras?
Fica difícil supor Rodrigo Janot participando desse tipo de barganha, mas é bom não esquecer que a reviravolta de Renan aconteceu logo após o palácio do Planalto haver enviado ao Senado a indicação para o procurador ser reconduzido por mais dois anos de mandato.
Acresce estarem as instituições tão próximas do colapso que todo esforço em favor da pacificação parece necessário.  De uma forma ou de outra, a intervenção do presidente do Senado, nas últimas horas, trouxe um refrigério ao governo. Dilma está mais tranquila, ainda que a tempestade continue sobrevoando a Praça dos Três Poderes. Senão neutralizada, encontra-se menos aguda a guerrilha desencadeada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que não tem duvidas de vir a ser denunciado nos próximos dias ou horas. Aparentemente, separaram-se os interesses dos dois comandantes do Legislativo. Cunha pretende botar fogo no circo, Renan veste a farda de bombeiro.
Será preciso confirmar essas ilações, mas se o Senado servir de anteparo ao caos institucional, de alguma vantagem os senadores se beneficiarão. O prestígio de seu presidente junto aos patamares do poder não livrará alguns de seus integrantes de responderem junto ao Supremo Tribunal Federal, como Fernando Collor. Prevê-se, no entanto, a aprovação de Janot na Comissão de Constituição e Justiça e, depois, no plenário. Haverá ebulição nos debates entre os senadores, mas a atuação de Renan surge decisiva, para a aprovação.
Politica é assim mesmo, cheia de ressalvas e meandros, como também de surpresas. Hoje, porém, o quadro é esse. Amanhã, só Deus sabe.
LULA REJEITA SER MINISTRO
A presidente Dilma, de boca, afastou a hipótese de imediata  reforma do ministério, ainda que os  rumores e os desejos continuem cruzando  os céus de Brasília.  Parece afastada, apesar disso, a possibilidade de o ex-presidente Lula vir a ser ministro, seja de Relações Exteriores, seja de Defesa. Passar de Comandante em Chefe a general não é de seu feitio. Nem de qualquer outro chefe de governo, exceção de Nilo Peçanha e Nereu Ramos. Muito menos Madame se sentiria à vontade. A reforma ministerial surge como um imperativo político, ainda que o momento para sua deflagração dependa da presidente, especializada em protelações. Não dá para afastar os partidos da refeição, ou seja, podem mudar os comensais, mas os partidos continuarão sentados à mesa ou até na cozinha, preparando os quitutes.
C. Chagas

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