PADRES CATÓLICOS PEDÓFILOS DO BRASIL SÃO EXPOSTOS EM FILME QUE CONCORRE A PREMIO NOS EUA.

18:31Carlos Alberto-Há 40 anos vivendo Brasília!

FILME NA LISTA DO OSCAR EXPÕE PEDOFILIA COMETIDA POR RELIGIOSOS NO BRASIL



Um dos filmes concorrentes ao Oscar aponta quatro cidades brasileiras onde surgiram casos de pedofilia praticados por religiosos da Igreja Católica. Em Franca (SP), padre acabou condenado a 60 anos de cadeia, mas permanece livre até hoje.
Quatro cidades brasileiras onde surgiram denúncias de pedofilia cometidas por religiosos da Igreja Católica aparecem na “lista da vergonha” do filme Spotlight – Segredos revelados (EUA, 2015). Arapiraca (AL), Franca (SP), Mariana (MG) e Rio de Janeiro são citadas como maus exemplos pelas denúncias de abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes. Apesar da gravidade e da repercussão mundial dos casos, a maioria dos acusados continua em liberdade — mesmo aqueles denunciados pelo Ministério Público e condenados pela Justiça — em meio a pedido de prisões, condenações e perdão religioso.

Em cartaz nos cinemas de todo o país, Spotlight concorre em seis categorias ao Oscar 2016 e conta a história real de uma equipe do jornal The Boston Globe, responsável por investigar e denunciar, no início dos anos 2000, os abusos cometidos por cerca de 70 padres na cidade americana de Boston. A reportagem, publicada no início de 2002, causou comoção internacional e levou o prêmio Pulitzer 2003, um dos mais importantes do jornalismo mundial. Mais de 200 cidades em todo o mundo são apontadas pelo filme por também terem descoberto vítimas de abusos semelhantes aos de Boston.

Entre as brasileiras, na de Franca, a 350km de São Paulo, foi aplicada a maior condenação. Acusado de abusar de quatro adolescentes em 2010, o padre José Afonso Dé, 82 anos, foi condenado a 60 anos de prisão. Ele nunca pagou pela pena. A defesa recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o que garantiu o direito de aguardar o julgamento em liberdade. O caso corre em segredo de Justiça e não há data para ser apreciado. Padre Dé, como é conhecido, ainda recebe visitas de fiéis e evangeliza casais no interior paulista. O escândalo levou o bispo de Franca, dom Pedro Luiz Stringhini, a pedir perdão às vítimas e aos fiéis em nome da diocese.

Um caso também emblemático de pedofilia cometida por religiosos no Brasil, o de Arapiraca, estarreceu a cidade alagoana de 210 mil habitantes, onde quase toda a população já havia tido um parente ou amigo casado ou batizado pelos religiosos envolvidos no escândalo. Imagens de um vídeo gravado por um ex-coroinha revelam o monsenhor Luiz Marques Barbosa, então com 81 anos, praticando sexo com um adolescente. A denúncia foi feita ainda em 2010.

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Além do octogenário, outros dois religiosos, o monsenhor Raimundo, então com 51 anos, e o padre Edílson Duarte, de 43 anos, também foram acusados de abuso por outros garotos. Edílson decidiu revelar todo o esquema em troca da garantia de delação premiada. O caso foi parar na CPI da Pedofilia, do Senado, que, em uma audiência pública na cidade, deu voz de prisão ao monsenhor Luiz. Em 2011, os três foram condenados e chegaram a ficar 15 dias presos, mas conseguiram o direito de recorrer às penas em liberdade. No ano seguinte, acabaram expulsos da Igreja Católica. Monsenhor Raimundo morreu em 2014, vítima de um AVC. Todos eles negavam as acusações.

O Código Penal Brasileiro é claro ao repudiar a prática de abuso sexual, ainda mais quando o ato é praticado contra menores de idade, o que agrava a pena do autor. Essa seria uma forma de proteger o cidadão de práticas delituosas que possam ferir os seus direitos fundamentais previstos na Constituição. Nos casos em questão, as crianças foram abusadas valendo-se de sua inocência e da ocupação social dos acusados. Os padres desrespeitaram princípios contidos na legislação brasileira e infringiram o código penal ao praticar abuso sexual contra menores.


Correio Braziliense.

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