DEPUTADO DANIEL NETO QUE DEIXOU O PMDB, PREVIU A QUEDA DO PARTIDO EM GOIÁS.

16:14Carlos Alberto-Há 40 anos vivendo Brasília!


deputado estadual José Neto, que recentemen­te trocou o MDB–partido que estava há 35 anos–pelo Pode­mos, destaca que o atual presidente estadual do MDB em Goiás, o pré­-candidato ao governo de Goiás Daniel Vilela, acabou com o parti­do no interior. José Neto também critica o pai de Daniel, o ex-go­vernador Maguito Vilela (MDB) e afirma que o mesmo prestou um desserviço à pré-candidatura de Daniel Vilela ao declarar possível aliança entre o partido e o PSDB.
Em visita à redação do Diário da Manhã, o deputado esclareceu os motivos que o levaram a dei­xar o MDB além das conjunturas para às eleições de outubro, tanto para o governo do Estado quan­to para Câmara Federal, já que é pré-candidato a deputado fede­ral pelo Podemos. “O Brasil preci­sa de um grupo político não de di­reita ou esquerda, mas temos que unir ideias”, acredita. O deputado ainda ressalta o apoio à pré-candi­datura do senador Ronaldo Caia­do (DEM) para o governo estadual.
A respeito dos 20 anos de gestão do atual governo do PSDB, José Nel­to é enfático em suas declarações e destaca que Goiás tem sérios proble­mas financeiros. “O Estado de Goiás está, literalmente, falido. Quando o MDB deixou o governo para Mar­coni Perillo, a dívida de Goiás era R$ 5.345 bilhões, hoje, a dívida é de R$ 22 bilhões. O Estado de Goiás está em uma situação que o próximo go­vernador não terá dinheiro para pa­gar os servidores públicos”, alarmou.

CONFIRA ABAIXO OS PRINCIPAIS TRECHOS DA ENTREVISTA:

  • História no MDB
É com muita tristeza, sofri mui­to, meu coração ficou estraçalha­do pela decisão política que tive de tomar. Fui um dos fundadores do MDB, eu tinha 15 anos de idade, com 16 anos estava filiado ao MDB Jovem de Goiânia. Fui o 13º filia­do do PMDB da Capital, em 1979, tive minha filiação abonada pelo ex-vereador e ex-prefeito de Goiâ­nia Daniel Antônio. Estava no mo­mento de oposição naquela época contra o regime militar para elei­ções diretas, pela democratização do Brasil e como estudante comba­tia o governo de Ary Valadão no Es­tado de Goiás, como estudante do Colégio Lyceu de Goiânia, era líder do movimento estudantil e minha história foi toda construída na opo­sição, na luta. Não sou político filho de coronel político, não sou políti­co do qual meu pai foi governador, minha carreira veio do povo, da vontade popular, das ruas e dese­jo do povo.
  • Apoio a Caiado

Vi o pai dele [Daniel Vilela], o ex-governador Maguito Vilela, di­zendo pela imprensa que ele estaria trabalhando e tinha que conversar a união entre o PSDB e o MDB. Foi justamente por isso que abandona­mos a pré-candidatura de Daniel Vilela. Fui obrigado, depois de 35 anos, deixar o MDB para comba­ter esta união, a imprensa toda di­vulgou a fala do pai. Isso nos dei­xou muito tristes, porque no fundo, a gente sabia que Maguito estava trabalhando para ter a unidade MDB e PSDB e com isso ele pres­tou um desserviço à candidatura de Daniel Vilela, no meu ponto de vista. O pai concede entrevista di­zendo que tem que ter unidade e o filho dá outra entrevista dizendo que não tem que ter unidade, en­tão a população e o eleitor do MDB em quem vai acreditar, no pai ou no filho? Isso foi muito ruim para o Daniel. Agora, a pré-candidatura de Ronaldo Caiado toda a popula­ção de Goiás sabe que é de oposição.
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Tínhamosumcompromissoacer­tado com Maguito Vilela e Iris Re­zende de ter um candidato único da oposição, jamais dividir a oposição. Fizemos diversas reuniões com lí­deres do MDB–Adib Elias, José Nel­to, Maguito Vilela, Iris Rezende–e o nosso compromisso era que aque­la coalizão de 2014, da qual Iris Re­zende Machado perdeu o governo, mas o senador Ronaldo Caiado ga­nhou para o Senado da República. O compromisso foi feito e quem es­tivesse melhor nas pesquisas e aglu­tinasse mais seria o candidato da oposição, se nenhum aglutinasse, se afastaria o nome de Daniel Vile­la e de Ronaldo Caiado e Maguito Vilela seria o candidato. Se não fos­se o nome de Maguito seria do pre­feito Adib Elias, do deputado José Nelto ou outro nome, o importan­te para nós era ter uma candidatu­ra da oposição que representasse o povo goiano contra as altas taxas de impostos no Estado de Goiás, que tem o verdadeiro terrorismo fiscal. Portanto, resolvemos–esse grupo político -, tentamos o acordo e hora nenhuma Daniel Vilela quis reunir com a oposição. Diante des­se fato tivemos que tomar uma po­sição política e tomamos essa posi­ção, apoiando a pré-candidatura do senador Ronaldo Caiado.
Nosso compromisso é de que Ro­naldo Caiado eleito governo do Es­tado de Goiás, por uma coalizão, governar para os pobres, para o social. O social que defendemos, primeiro, é a vida, que é a saúde, cuidar do povo. Ele é um médico, tem as mãos limpas, queremos em Goiás uma Revolução Francesa, de mudar esse Estado que vive hoje de compadres, ricos e poderosos. Den­tro de seis meses temos de cortar to­dos os privilégios do Legislativo, dos tribunais, Executivo e esse dinhei­ro ser usado para a saúde pública.
  • Expulsão dos prefeitos

Isso é conversa para boi dormir, não tem nenhuma legitimidade. Qualquer filiado de qualquer par­tido político, até a convenção par­tidária, pode discordar da candi­datura, pode lançar outro nome. Não há nenhuma infidelidade, o que há é um desespero total, por­que são nomes fortíssimos dentro do PMDB, respeitados e referências em suas administrações, hoje, em Goiás: Adib Elias, Ernesto Roller, Renato de Castro, Paulo do Vale e Fausto Mariano.
  • Aliança MDB e DEM

Pela minha experiência políti­ca, aliança com o DEM dificilmente irá acontecer, até porque Maguito Vilela tem, hoje, uma queda mui­to grande para ficar ao lado de Marconi Perillo e vai para o Palá­cio [das Esmeraldas] articular e, inclusive, chegou a ligar para um ex-deputado amigo meu, José Es­sado–que deixou o MDB recente­mente–e disse que se Daniel fosse para o segundo turno, ele teria o apoio de Marconi Perillo. Me per­gunto, como pode a base do MDB, 20 anos na oposição, sendo massa­crada por Marconi Perillo–porque quem o Marconi não compra, ele massacra usando o dinheiro públi­co -, como poderemos estar juntos no interior? A divisão é total no in­terior, ou se é governo ou oposição. Portanto, hoje, se Zé Eliton for para os segundo turno–se tiver segundo turno -, Daniel Vilela e Maguito es­tarão no palanque de José Eliton. Quanto a Iris Rezende Machado e Dona Iris, posso afirmar, eles esta­rão com o senador Ronaldo Caia­do, até pela posição política.
  • Divisão interna MDB

Os grandes partidos estão des­manchando e o MDB não é dife­rente. Renan Calheiros brigando com a quadrilha do Temer, aqui em Goiás também o partido está dividido. Acredito que haverá uma nova, a partir das eleições, teremos que ter uma nova reforma política no Brasil. Primeiro, ninguém con­vive em uma democracia com 40 partidos, cada partido quer um pe­daço do Estado, um pedaço do mu­nicípio. É preciso termos partidos orgânicos e que possam defender a sociedade. Hoje, temos partidos para fazer negócios. Hoje, são pe­quenos partidos e grandes negó­cios, o cidadão usa o partido para negociata.
  • Liderança Daniel Vilela

Ojovemdeputadofederalagecom ideias arcaicas, retrógradas. Qual­quer político para ser chefe de uma nação tem que ser estadista, agora ele acha que o partido é dele. Pas­sou a agir dentro do partido como um ditador. Há um ano ele não fa­zia reunião com o partido, todas as decisões de mudar comissão provi­sória ou discutir com o partido no interior, ele avocou para ele. Daniel acabou com o MDB no interior de Goiás, o partido estava em 246 mu­nicípios, hoje, se tem aproximada­mente 40 diretórios. Ele reduziu o partido para ter o comando e ainda diz para um deputado que irá co­mandar o MDB com mãos de ferro. Que adianta ser presidente de um partido, sendo um general sem sol­dados? Hoje, o MDB é como se fos­se o exército de Brancaleone, não tem essa força que tinha, por equí­vocos–não sei se deixou o poder su­bir a cabeça–ou se realmente esse é o pensamento dele. A campanha dele, lamentavelmente, passou a ser apenas do MDB e não conseguiu aliados. Daniel não tem nem cha­pa para deputado federal, o MDB– pela primeira vez na história e para minha tristeza–não vai eleger ne­nhum deputado federal e a banca­da que elegeu seis deputados–uma aliança com o DEM -, podemos fi­car com três deputados estaduais, pelo que estou vendo e sentido no interior do Estado e na Capital.
Depois de 35 anos no MDB, tra­balhei muito para que o partido ti­vesse uma candidatura sólida no Estado de Goiás. Apoiamos, inicial­mente, o nome de Daniel Vilela, e apostávamos na sua juventude. Mas ele acabou errando politica­mente. Primeiro, no Congresso Na­cional quando votou contra as 10 medidas da Lava Jato de comba­te à corrupção. Hoje, o maior vírus que tem no Brasil é a corrupção. Segundo, quando Daniel apresen­tou um projeto dando R$ 200 mi­lhões de isenção para Oi, que é uma empresa de telefonia que cobra as tarifas mais caras de telefonia do Brasil e se isentar, isso me deixou revoltado e toda a população bra­sileira. Como pode um parlamen­tar apresentar um projeto danda isenção a uma empresa R$ 200 mi­lhões? Em terceiro, quando Daniel Vilela tomou a posição de ficar ao lado do presidente Temer, que sa­bemos que hoje ele é um presidente que acabou com a CLT no Brasil e impôs um sacrifício muito grande à classe trabalhadora e está envol­vido em corrupção. Então, eu não apoio nenhum candidato que toma a decisão de ficar ao lado de gover­nos corruptos e impopulares. O Te­mer, por duas vezes, foi protegido pelo Congresso Nacional, causando um prejuízo enorme à democracia e à classe política. Por isso a minha insatisfação e minha luta.
  • Articulação Maguito

Pelo que vi na imprensa–não sou eu que estou falando e nem quero comentar–foi um desas­tre quando Maguito admitiu aliança com o PSDB. O ci­dadão que é do MDB do interior, que é de oposi­ção, vi uma revolta geral, recebi várias ligações por causa daquela fala dele. Ele pres­tou um desservi­ço, se Maguito queria ajudar o filho dele para o gover­no acabou prejudicando, porque virou fofoca no Estado inteiro. O MDB vai unir com PSDB, o par­tido tem candidato? É o que está na cabeça do povo e isso desgasta qualquer candidatura. E se não houver uma aliança, tanto po­lítica quanto com a sociedade, porque se tem que ter uma alian­ça com a sociedade civil organi­zada. O candidato para ser um chefe de Estado tem que conver­sar com a sociedade civil orga­nizada e todo programa de go­verno não pode ser a vontade do governador, tem que reunir com o povo e tem que ser respeitado.
  • Críticas a Marconi

É inadmissível, depois de 20 anos de governo Marconi Perillo, o legado que ele deixou soldado da polícia militar ganhando R$ 1,5 mil, deveríamos ter nas for­ças de segurança pública 20 mil policiais e, hoje, temos 9 mil po­liciais trabalhando. 140 cidades em Goiás que não tem delegado de polícia, 139 ou 136 cidades que não tem polícia militar, só aos fi­nais de semana. Esse é o pior le­gado que deixou Marconi Perillo e Zé Eliton, o Eltim, a dupla que quebrou Goiás. Hoje, só perde­mos em termos de rombo fiscal para Rio de Janeiro, Minas Ge­rais e Distrito Federal. O Estado de Goiás está, literalmente, falido. Quando o PMDB deixou o gover­no para Marconi Perillo, a dívi­da de Goiás era R$ 5.345 bilhões, hoje a dívida é de R$ 22 bilhões. O Estado de Goiás está em uma situação que o próximo governa­dor não terá dinheiro para pagar os servidores públicos. Realmen­te, estamos preocupados com a crise que vem pela frente quan­do esse governo de 20 anos deixar o poder e a oposição verdadeira comandada por Ronaldo Caia­do, Adib Elias, Renato de Castro, Paulo do Vale, Fausto Mariano, José Nelto e Lívio Luciano, nós devolveremos o Estado de Goiás para o povo goiano. Em Goiás,


Pela minha experiência política, aliança com o DEM dificilmente irá acontecer, até porque Maguito Vilela tem, hoje, uma queda muito grande para ficar ao lado de Marconi Perillo”

Depois de 35 anos no MDB, trabalhei muito para que o partido tivesse uma candidatura sólida no Estado de Goiás”


publicado por dm.com.br, Goiás, Brasil.

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