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ESOPO E A LÍNGUA-UMA REFLEXÃO EM TEMPOS DE FAKE-NEWS

10:51Brasília, Brasil e o mundo sem retoques!

ESOPO E A LÍNGUA-UMA REFLEXÃO EM TEMPOS DE FAKE-NEWS 

 
















Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:

 

- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.

- Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa?

- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.

Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.

- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo. A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.

- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?

- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.

- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.

Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:

- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? indagou Esopo.

Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade. Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antiguidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.

 

Autor desconhecido

 

Reflexão

Alguns de nós podem discordar da ideia de Esopo de que a língua seja a maior virtude do mundo, toda via ninguém pode negar que o que dizemos serve tanto para bem quanto para o mal.

Tenho certeza que todos gozaríamos de mais paz, de mais amor e de mais felicidade se pensássemos no que vamos falar entes de abrir a boca e descarregar tudo o que temos vontade. Diante de certas situações é certo que nos sairíamos melhor se silenciássemos ao invés de falar a primeira coisa que vem na mente.


Um dos problemas do que dizemos sem pensar ou pensamos de forma errada e expressamos falando é que nunca somos só nós que saímos prejudicados e feridos, sempre envolve alguém... um amigo, um vizinho, um parente ou até mesmo um desconhecido.

Muitos de nós tem o velho hábito de escutar algo e sair propagando aquilo que ouvimos, sem saber ao menos se é verdade a informação que tivemos, com isso denegrimos imagens, arrumamos inimizades e praticamos injustiças. Quando escutamos algo ruim sobre alguém,por exemplo, criamos em nossa mente uma imagem dessa pessoa sem nem ao menos ter dado a oportunidade de conhecê-la melhor, então nós mesmos estamos fazendo um julgamento injusto. Para julgar alguém é necessário antes conhecê-lo, não se deve julgar por aparência. Por esse preconceito perdemos muitas vezes de fazer uma amizade, conhecer uma pessoa que poderia fazer diferença em nossa vida.

Muitos gostam da famosa “fofoca”, do “disse-me-disse”, desde que não seja o alvo. Se você não quer ser alvo de comentários injustos por que fazer isso com alguém?

Creio que se deve propagar o que é certo, verdadeiro... Mesmo assim apenas se tiver um propósito positivo em tudo, não por maldade, não para humilhar, não por prazer. Se sua crítica não é construtiva, não a faça. Faça com o intuito de ajudar. Como já sabemos, muitas vezes é melhor ouvir mais e falar menos.

Sei que é natural de nós seres humanos a fofoca, mas podemos evitar ferir a nós mesmos e aos outros a partir daquilo que dizemos. É certo que se você não souber de uma informação você não vai propagá-la, a não ser que invente. Por isso, podemos ser mais cristãos evitando conversas em que as pessoas começam denegrindo imagens com coisas do tipo: “Eu ouvi falar”, por exemplo...


“Acredite na metade do que vê e em nada do que ouve”. Para propagar algo, ao menos entenda o que se passa. Garanto que você cairá em menos ciladas da vida se souber silenciar mais , ouvir mais. E se você já disse a frase: “não sou só eu que está falando”, acredite que se cada um fizesse a sua parte viveríamos em um mundo muito melhor.

 

Então, comece fazendo a sua parte e um dia todos acordarão e farão o que é melhor para si também.

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